quinta-feira, 1 de julho de 2010

Entrevista


Como foi gravar o CD Água da Vida?
Não há palavras para agradecer a Deus pela oportunidade de entrar em muitas casas através da música e falar do seu amor a muitas pessoas que estão sofrendo e necessitadas de mais da sua presença. As 13 músicas foram escritas em momentos especiais, como exemplo cito uma chamada “Toda Glória”. Estava pedindo a Deus uma música que fosse totalmente adoração há muito tempo, para fechar o CD e começar a gravação. Em uma tarde ensolarada ia com minha esposa e um casal de amigos andar a cavalo, quando veio toda letra na mente, voltei para o estúdio e escrevi toda ela, chamei minha esposa e meus amigos e choramos, fomos renovados, pois Deus tinha nos agraciado com mais uma canção. Chorei muito, por que imaginei a igreja cantando com toda a força, e isto se cumpriu. O Cd nasceu dos textos em João 24, sobre a mulher samaritana e cada momento da gravação foi marcante, agradeço a Deus pelos amigos e irmãos que somaram neste CD, todos com uma visão edificar a igreja e abençoar vidas que estão sofrendo através do amor de Deus. Aqueles que querem conhecer o CD entre  no site www.junioroliveira.com.br .

Quando começou a cantar e tocar?
Por volta dos oito anos de idade meu pai me matriculou na escola de música com o saudoso Daniel Capelão. Passei a tocar surdo na banda e, quando finalizei meu curso de música de um ano, toquei trompete até os 12 anos na banda, passando do terceiro ao primeiro trompete da banda marcial da igreja. Aos nove anos formei o meu primeiro grupo musical de crianças, onde senti a necessidade de tocar teclado para poder junto cantar. Quando peguei, emprestado de um amigo, um tecladinho, passei a noite tocando. Logo os meus pais deram para mim um teclado chamado PSR-3 — como na época o mais simples que tínhamos visto era PSR-210, e um dos melhores era o PSR-3000, o meu teclado foi apelidado carinhosamente pelos meus colegas de escola dominical, na igreja onde eu tocava, de Podre-Super-Ruim 3 (PSR3). Bá! Que “sarro”! Dos 12 aos 18 anos, toquei em algumas bandas onde pude conhecer muitas cidades do estado do Rio Grande do Sul e um pouco do Uruguai. Tocávamos desde rock, pop até salsa. Toquei trompete e teclado em alguns eventos com o Pr. Luiz Fontana. Quando tinha uns 16 anos, visitei o teatro presidente em Porto Alegre e Deus falou forte comigo sobre o meu ministério de louvor. Participei de alguns festivais de regência coral, arranjei alguns vocais e dei aula de música em um colegio em Ivoti/RS. Casei e entrei no ministério Encontros de Fé, onde conheci o Pr. Isaías. Com a necessidade de iniciar uma banda na congregação nova de São Leopoldo, me coloquei à disposição para tocar teclado e, quando o ministro faltou, me colocaram para ministrar, de onde nunca mais saí. Formamos a banda e viajamos para muitos lugares, fui a Portugal com o Pr. Isaías Figueiró, onde ministramos em oito igrejas. Toco teclado cantando para ter maior facilidade de controlar musicalmente tanto a banda quanto a adoração espontânea. Hoje já não consigo ficar longe do teclado. Tenho um Motif XS6 da Yamaha e um piano digital P-85, bem diferente do que comecei, mas meu coração permanece o mesmo, quero servir a Jesus enquanto eu viver.

Como foi esse chamado para o louvor?
Como desde pequeno eu canto e toco, as coisas aconteceram ao natural. Sempre estive envolvido com a música na igreja, meus pais e meus sogros são inteiramente responsáveis pela minha permanência no caminho, pois o início da vida espiritual de um jovem é muito complicado. Lembro que fui chamado por duas vezes por pastores diferentes, quando pequeno, para ouvir uma profecia que disse que eu seria muito usado por Deus para ministrar sua palavra, mas o que me deu autoridade para assumir não foi simplesmente a profecia, mas o quanto Deus estava no controle da minha vida, me levando automaticamente naquilo que ele queria, e assim pude entender o chamado para o louvor. Quando somos guiados, o Senhor nos leva e nós temos que deixá-lo levar-nos. Aí você diz: “É IMPOSSÍVEL!” E eu digo: “QUE BOM!” Isso é para provar que você não chegou por suas próprias forças, mas pelos milagres de Deus no decorrer da vida nesta terra.


Conte um pouco sobre o início da banda:
Conheci o Ébano Santos (baterista) em Canoas, quando ainda tocávamos em bandas diferentes (isso no século passado, hehe). Tivemos uma comunhão de espírito muito boa, eu conversava sobre o meu desejo de cantar, e não tocar somente trompete. Isso chamou a atenção dele. Passou o tempo e quando eu estava em São Leopoldo ele veio nos ajudar em um culto na batera. Dali em diante não nos desgrudamos mais, tocamos em muitos lugares e tivemos muitas alegrias, é um grande baterista e um grande amigo. Já o baixista Josias Correa, conheci de vista em algumas igrejas onde fui tocar, um jovem disposto a servir a Deus com seu instrumento, conheço há pouco tempo, mas já sei que é um grande baixista, amigo e um excelente irmão. Conheci o guitarrista Daniel Fernandes, em 1991, quando fui convidado por ele para fazer uma participação na banda que ele tocava, como trompetista. Deu-me um mês de aula de teclado. Na época em que fazia essas aulas, fiz uma pergunta que intrigou ele: “me ensina uma nota que não existe”, poxa eu era muito novinho. Eram, na verdade, notas com nona e sétima, hehe! Que “sarro”, até hoje nós comentamos isso e rimos muito. Gravei alguma coisa com ele e em 2009 convidei-o para fazer parte da banda, onde a sua presença somou muito na gravação do CD “Água da Vida” (2010). Atualmente quem toca bateria comigo é o Jeferson, baterista novo, que se dedica musicalmente estudando na escola técnica de música (EST).
Quais são os maiores desafios de um ministro de louvor?
O maior desafio é vencer a nós mesmos. O fruto do Espírito chamado domínio próprio é de suma importância para a sobrevivência espiritual do ministro! Saber quando deve continuar e quando deve parar, saber dominar as vontades, as emoções e ser governado pelo Espírito de Deus. Por isso sempre digo aos jovens em São Leopoldo que maturidade não se mede por idade, mas, sim, pelo quanto você é governado pelo Espírito Santo e não por suas emoções. Na hora de ensaiar bate o desânimo, na hora de orar bate o cansaço, na hora de tocar em lugares distantes bate a vontade de estar em casa ou aproveitar algo que você queira... Mas e aí, qual o propósito maior? E a salvação... a alegria para quem está sofrendo? Domine-se e me diga!

Músicas que mais te tocam o coração quando são cantadas e por quê?
Gosto de canções com letras simples, mas profundas. Podem ser pequenas, mas que tenham conteúdo! Lembro de uma muito antiga, em espanhol, que dizia “só quero olhar-te cara a cara, e perder-me no silêncio e sem palavras... Que passe muito tempo e que não me digas nada, só quero te olhar cara a cara, por toda minha vida.” Por que me toca? Poxa! Não adoro a Deus pelas infinidades de bênçãos que ele me deu (e dá todos os dias), mas porque simplesmente ele existe isso é amor!Gosto de canções que engrandecem o nome de Jesus.

Qual seu conceito de sucesso para uma banda cristã?
Agradar o coração de Deus, a noiva (igreja) e ponto. Levando as pessoas a aceitarem a Cristo e adorarem o Pai com revelações novas de canções, fazendo com que o louvor seja ministrado com arte, mas com simplicidade e com foco bem definido na presença de Deus, pois ele habita onde tem louvor.

Muitos jovens que não conhecem Jesus acham desinteressante as letras das músicas cristãs, o que você acha da qualidade musical no meio evangélico? O que é importante fazer para ter a atenção do jovem?
Os jovens que não conhecem a Jesus geralmente são atraídos pela musicalidade e depois pela letra. Acho que a musicalidade no meio gospel cresceu muito nos últimos anos, mas as letras decaíram pelo fato de que qualquer pessoa pode gravar o que pensa em um CD, mesmo tendo pouco tempo de estudo da palavra ou ensinamento. Isso está trazendo seqüelas ruins que demoram a ser apagadas, pois as músicas estão ficando com uma qualidade altíssima mas de conteúdo baixíssimo, e os CDs são medidos pela musicalidade, ultimamente, e não pela letra que traz bênção para dentro de casa e para o coração de quem escuta. Acho que para ter a atenção do jovem você precisa pensar nos desafios dele, chorar com ele quando estiver triste e sorrir quando ele estiver alegre, pois a maioria dos jovens são muito solitários com seus pensamentos e anseios para um futuro cheio de surpresas e novidades. O jovem precisa de um amigo, de um irmão.

Conte um testemunho através do seu trabalho com a banda:
Acordei às 5h da manhã no domingo e não consegui mais dormir, falei a minha esposa na cama que iria tocar piano, estava sem sono. Mas como?! Eu, sem sono?! Hehe! Em pleno domingão! Quando sentei e comecei a tocar, veio uma música inteira chamada Descanso em Ti, Senhor, gravada no CD Água da Vida. Estou acostumado a fazer músicas pequenas, e essa foi imensa! Deus tinha um propósito! À noite olhei para a banda e disse: “MÚSICA NOVA!” Eram 7h20min, o culto começava às 19h30min! Lembro bem do Ébano neste instante, que situação!É muito delicado, pois a banda não tinha nem noção do que estava acontecendo, mas confiaram em Deus e no que eu escrevi. Passei as notas básicas e tocamos, no final da reunião veio um jovem com um cabelo comprido dizer que Deus tinha falado com ele através daquela música e que ele queria voltar para os caminhos do Senhor... poxa! Perguntei o nome dele e ele saiu correndo dizendo que iria voltar. Em outra reunião, depois de muito tempo, passei por ele e não o reconheci, mas fui perguntar quem era, pois sempre faço isso com pessoas novas na igreja, foi quando ele me disse que era o jovem daquela canção. Que legal! Perguntei sobre a sua família e ele me disse que estavam  todos amarrados pelo inimigo, mas que naquele momento iria mudar, e nisso ouvi o senhor libertando sua família. Dei um abraço nele e disse que o Senhor se preocupa com ele, pois me acordou às 5h da manhã para escrever aquela canção para ele ouvir e aprender a descansar nos braços do Pai.

Composição ( nomes e instrumentos) O que tem a dizer para as bandas iniciantes?
“Se o meu povo que se chama pelo meu nome se humilhar, e orar, e me buscar e se desviar dos maus caminhos, eu ouvirei do céu, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra.” 2 Crônicas 7:14 – Vamos trabalhar enquanto é dia! Não olhem para traz, nem para baixo! Fiquem onde Deus quer que fiquem. As ondas vêm e vão, e logo vem à bonança. Não desanimem, pois Jesus não desanimou quando levou sobre si todas as nossas dores na cruz. Aprendam música, estudem , estejam abertos a ouvir as “críticas, e retenham o que é bom”, pois delas saem muitas palavras de sabedoria! Mas, principalmente, façam o que diz no versículo acima, pois só assim chamamos a atenção de Deus, lembre-se: o poder não está na música, está no seu coração prostrado e humilhado perante o senhor.

O que o louvor representa para você?
O louvor é eterno, no céu não teremos pregações de 24 horas, mas pra sempre seremos felizes com Jesus, louvando-o e adorando-o. Talvez tenham discursos, não sabemos, mas é certo que este ministério jamais vai acabar. Na igreja, o louvor chama a presença de Deus! Por isso é importante que a Igreja louve a Deus com o coração, pois a palavra diz que Deus habita nos louvores do seu povo! E aí entra o papel do ministro: ministrar não é só louvor, mas ministrar é trazer a presença de Deus.

Considerações finais: espero que, através das palavras que digitei nesta quinta-feira ensolarada, você possa estar com o coração aberto para o Espírito Santo entrar, para que ele possa falar mais do que as minhas palavras, mas falar no teu coração e trazer aquilo que você procura de paz, amor, bondade, mansidão em qualquer tempo, num mundo tão conturbado. Deus sempre pode fazer mais por nós, só temos que saber se estamos prontos para receber. Deus quer te capacitar,  abençoar e usar, mas deixo esta pergunta no ar: o quanto estamos prontos pra servir?Agradeço a Deus pela oportunidade, pelo convite de poder falar um pouco do que Deus fez por mim e de estar repartindo sua palavra com vocês. É uma honra poder falar das coisas do Pai. Estou no Facebook, orkut e twitter @junioroliveirax .